A higiene bucal em pessoas com necessidades especiais (PNE) exige abordagens adaptadas e paciência. Devido a limitações motoras, sensoriais ou ao uso contínuo de medicamentos, esse público apresenta maior risco de cáries e gengivite, tornando o manejo comportamental diário e a prevenção os pilares para a saúde e qualidade de vida.
Cuidados práticos e adaptados
A manutenção da saúde bucal é um componente essencial do bem-estar geral, mas para pessoas com necessidades especiais (PNE), incluindo indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Down, paralisia cerebral ou deficiências motoras e intelectuais , a rotina de escovação e uso do fio dental pode se transformar em um desafio diário significativo.
Desensibilizar o momento da higiene, adaptar instrumentos e compreender os fatores fisiológicos e comportamentais envolvidos são etapas fundamentais para proteger a boca contra complicações graves que afetam a nutrição e a qualidade de vida.
Por que o risco de doenças bucais é maior?
Diversos fatores biológicos e comportamentais aumentam a suscetibilidade de pessoas com necessidades especiais a problemas como cáries, gengivite e doença periodontal:
- Efeito Secundário de Medicamentos: O uso contínuo de anticonvulsivantes, neurolépticos e ansiolíticos frequentemente causa xerostomia (boca seca), reduzindo o fluxo salivar. A saliva é um protetor natural do esmalte; sem ela, as bactérias se multiplicam rapidamente.
- Limitações Motoras e Coordenação: Dificuldades no controle da motricidade fina impedem que o indivíduo realize a escovação de forma eficaz por conta própria.
- Hipersensibilidade Sensorial: Para pessoas no espectro autista ou com processamento sensorial alterado, a textura da escova, o sabor forte ou a espuma do creme dental podem desencadear crises de aversão ou ansiedade.
- Dietas Pastosas e Retenção de Alimentos: Alimentos mais pastosos ou ricos em amido tendem a aderir com mais facilidade às superfícies dentárias, favorecendo o acúmulo de placa bacteriana.
Estratégias para facilitar a higiene diária
- Adaptação dos Instrumentos de Escovação:
- Engrossamento do Cabo: Para facilitar a pegada em casos de limitações motoras, o cabo da escova pode ser inserido em uma bola de tênis perfurada, um cano de EVA ou envolto em fita adesiva macia.
- Escovas de Três Lados (360°): Permitem limpar as superfícies interna, externa e superior do dente simultaneamente, reduzindo o tempo necessário de escovação.
- Passadores de Fio Dental com Haste: Facilitam a manipulação por parte do cuidador.
- Manejando a Sensibilidade Sensorial:
- Dê preferência a cremes dentais sem sabor, sem lauril sulfato de sódio (LSS) (substância responsável por fazer espuma) e com a concentração adequada de flúor recomendada pelo odontopediatra/dentista.
- Realize a higiene em ambientes tranquilos, sem ruídos excessivos ou iluminação direta nos olhos.
- Construção de Rotina e Previsibilidade:
- A utilização de pistas visuais (cartões com etapas do processo) e a técnica de “contar até 10” enquanto escova cada quadrante da boca ajudam a dar previsibilidade ao tempo de escovação, reduzindo a ansiedade.
Na Drogaria São Carlos, acreditamos na inclusão e no suporte integral a todas as famílias. Em nossas farmácias, você encontra escovas adaptadas, cremes dentais para sensibilidade e suporte farmacêutico orientado para o cuidado especializado. A saúde começa pela boca, e o cuidado se constrói com empatia.
Referências Científicas Consultadas:
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal: Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOPEDIATRIA (ABOPED). Manual de Atendimento Odontológico a Pacientes com Necessidades Especiais. São Paulo: Santos Editora, 2020.
- CORRÊA, M. S. N. P. et al. Odontopediatria e Pacientes com Necessidades Especiais: Prevenção e Manejo Comportamental. Revista Brasileira de Odontologia (SciELO Brasil), v. 77, p. 112-119, 2022.


