O uso de anticoncepcionais hormonais combinados pode aumentar o risco de Trombose Venosa Profunda por alterar os fatores de coagulação no fígado. Embora o risco absoluto seja baixo para mulheres saudáveis, a avaliação médica individualizada, aliada ao reconhecimento dos sinais de alerta nas pernas, é fundamental para garantir uma prevenção segura e eficaz.
Anticoncepcional e trombose
O medo da Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma das principais razões pelas quais muitas mulheres questionam ou até abandonam o uso de anticoncepcionais hormonais por conta própria. Com o fluxo constante de informações na internet, o tema frequentemente gera pânico desnecessário. Contudo, a medicina e a hematologia oferecem uma visão clara e baseada em evidências: existe sim uma associação, mas o risco varia significativamente de acordo com o tipo de hormônio e o perfil de cada mulher.
Entender a fisiologia por trás dessa relação é o caminho mais seguro para fazer escolhas conscientes sobre o planejamento reprodutivo e a saúde vascular.
O papel do estrogênio
O principal responsável pelo aumento da hipercoagulabilidade em alguns métodos contraceptivos é o estrogênio sintético (geralmente o etinilestradiol).
Quando ingerido ou absorvido, o estrogênio passa pelo metabolismo hepático e estimula o fígado a aumentar a produção de proteínas pró-coagulantes (como o fibrinogênio e a prototrombina), enquanto reduz a atividade de anticoagulantes naturais do próprio corpo (como a Proteína S e a Antitrombina).
Essa alteração na cascata de coagulação faz com que o sangue fique ligeiramente mais “espesso” e propenso a formar microcoágulos nas veias profundas das pernas (estase venosa).
Nem todos os anticoncepcionais são iguais
É fundamental diferenciar as categorias de métodos contraceptivos, pois o nível de risco varia drasticamente entre eles:
- Pílulas Combinadas (Estrogênio + Progesterona): Apresentam o risco aumentado, a depender também do tipo de progestágeno associado. As progestinas de 3ª e 4ª geração (como gestodeno, desogestrel e drospirenona) possuem um risco levemente superior às de 2ª geração (como o levonorgestrel).
- Métodos Apenas de Progestágeno: Pílulas contendo apenas progesterona (minipílulas ou desogestrel isolado), implantes subdérmicos e o DIU hormonal (com levonorgestrel) não alteram significativamente os fatores de coagulação hepática e são considerados opções seguras para mulheres com contraindicação ao estrogênio.
- Métodos Não Hormonais: O DIU de cobre e o DIU de prata não possuem qualquer interferência na vascularização ou na coagulação sanguínea.
Fatores de risco combinados
O uso da pílula isoladamente em uma mulher jovem e sem comorbidades representa um risco absoluto muito baixo. No entanto, o perigo se multiplica quando o anticoncepcional hormonal combinado é associado a outros fatores de risco:
- Tabagismo: A nicotina danifica o endotélio (a parede interna dos vasos), e a combinação com estrogênio multiplica o risco de eventos trombóticos.
- Idade Superior a 35 Anos: A partir dessa faixa etária, as alterações vasculares naturais aumentam a necessidade de reavaliação do método.
- Histórico Familiar ou Trombofilias: Condições genéticas (como a Mutação do Fator V de Leiden) potenciam o estado de hipercoagulabilidade.
- Obesidade e Sedentarismo: O excesso de peso e a falta de movimentação da musculatura da panturrilha dificultam o retorno venoso.
Quando buscar atendimento médico
A Trombose Venosa Profunda costuma dar sinais claros e geralmente assimétricos (afetando apenas uma das pernas). Fique atenta a:
- Inchaço repentino e persistente na panturrilha ou coxa;
- Dor em queimação ou sensação de peso na perna afetada;
- Vermelhidão e aumento da temperatura local ao toque;
- Enrijecimento da musculatura da batata da perna.
Na Drogaria São Carlos, defendemos a informação segura e o acompanhamento médico contínuo. Nunca interrompa ou troque o seu método anticoncepcional sem antes consultar seu ginecologista. Em nossas farmácias, você encontra meias de compressão graduada, venotônicos para o alívio da circulação e uma equipe de farmacêuticos prontos para orientar você com respeito e embasamento científico. A sua saúde vascular começa com escolhas bem orientadas.
Fontes:
- FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS para Uso de Métodos Anticoncepcionais. Posição Oficial FEBRASGO, 2020.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medical eligibility criteria for contraceptive use. 5th ed. Geneva: World Health Organization, 2015.
- BRITO, M. B. et al. Anticoncepção hormonal e sistema cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia (SciELO Brasil), v. 96, n. 4, p. e81-e89, 2011.


